Falta de atenção: como superá-la
Por Filomena Santos Silva, Psicóloga
Antes de qualquer outra medida os pais e educadores devem questionar-se se não haverá alguma perturbação – no meio familiar ou escolar – que possa justificar essa alteração comportamental
Num jardim-de-infância, a educadora de uma sala do ensino pré-escolar reúne com os pais de forma a partilhar as dificuldades que está a sentir, dizendo-lhes: “O Frederico é uma criança que, apesar das suas boas capacidades, nunca acaba os trabalhos e perturba constantemente os colegas com o seu comportamento agitado. Tem dificuldade em ficar sentado em grande grupo e revela pouco interesse pelas actividades e tarefas da sala, permanecendo pouco tempo envolvido mesmo em situações de brincadeira livre.”
Estas queixas são frequentemente feitas pelos educadores aos pais que, apesar de saberem que são reais, se sentem impotentes para as resolver. Neste momento começam as dúvidas: será que o meu filho tem Défice de Atenção? Será que é Hiperactivo? Devo ir a um especialista? Que fazer? Se a criança já iniciou o ensino básico estas questões tornam-se ainda mais pertinentes.
É uma realidade que actualmente há um grande número de crianças que são diagnosticadas como tendo Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), sendo que grande parte inicia muito cedo medicação com psicoestimulantes. Contudo, é também do conhecimento geral que se assiste a um sobre-diagnóstico, o que significa que muitas das crianças podem apenas ter algumas dificuldades que, com medidas educativas adequadas, são ultrapassadas. Desde que a qualidade de vida da criança esteja assegurada, essas medidas devem ser sobretudo ao nível do ambiente escolar e familiar.
Antes de qualquer outra medida os pais e educadores devem questionar-se se não haverá alguma perturbação – no meio familiar ou escolar – que possa justificar essa alteração comportamental. As crianças pequenas, frequentemente, não conseguem falar sobre os seus sentimentos, mas, mostram que algo se passa através da agitação psicomotora, incapacidade em manter a atenção numa tarefa ou pelo comportamento perturbador e de oposição que revelam. Se for esse o caso, é importante dialogar com a criança procurando ultrapassar as causas que originaram o problema. Se, pelo contrário, se concluir que este é o padrão habitual de comportamento da criança é fundamental que os pais e o educador (ou o professor) estabeleçam todo um conjunto de medidas facilitadoras que conduzam a alterações nos diversos ambientes em que a criança vive no seu quotidiano.
Alterações gerais
– Dê apenas uma ordem ou tarefa de cada vez à criança; se a tarefa for complexa subdivida-a e certifique-se de que a primeira parte foi cumprida antes de lhe explicar a seguinte.
– Elimine os estímulos distractores antes de falar com a criança: em casa baixe o som da televisão ou afaste o jogo que a criança está a fazer antes de falar com ela; na escola afaste-a dos colegas ou coloque-se de forma a que o seu corpo faça alguma “barreira visual”.
– Estabeleça contacto visual antes de falar com a criança. Se necessário pegue-lhe suavemente no queixo garantindo que está a olhar para si enquanto fala.
– Peça à criança para explicar o que lhe foi pedido; frequentemente a criança diz que compreende mas não processa correctamente a informação, sendo depois incapaz de cumprir a ordem.
– Envolva-se com a criança em jogos e actividades que favoreçam o aumento do nível de atenção (puzzles, jogos de memória visual, jogos de construção, de observação e de raciocínio lógico), procurando ser um modelo: verbalize as suas acções em voz alta de modo que a criança possa interiorizar modelos correctos de acção.
– Defina regras e quais as consequências no caso de as quebrar; as penalizações para o não cumprimento devem ser rápidas, justas e consistentes.
Alterações no Ambiente Familiar
– Procure diariamente ter um tempo de qualidade com o seu filho, brincando ao que ele pede, sem procurar ensinar e sobretudo sem recriminações. Verá que vai ser mais fácil para a criança estar atenta e envolver-se em actividades em que sente prazer; por outro lado permite reforçar os laços afectivos. Comece por períodos muito curtos e progressivamente aumente o tempo de interacção.
– Privilegie o esforço e não os resultados, ou seja elogie o seu filho quando este se esforça por cumprir uma tarefa; reforce positivamente os comportamentos adequados, procurando dar mais atenção à criança sempre que esta se comporte de acordo com o esperado.
– Sempre que possível ignore o comportamento desadequado, optando por não dar atenção à criança nessa situação: parar o que está a fazer para ralhar ou punir poderá ter o efeito contrário: inconscientemente a criança porta-se mal para ter atenção, mesmo que esta seja negativa.
Alterações no Ambiente Escolar
– Promova a motivação da criança pela tarefa, mostrando grande entusiasmo e verbalizando que acredita nas capacidades da criança para a sua realização.
– Sente a criança numa área com poucos distractores, evitando toda a fonte de estimulação que não seja essencial. Procure um local da sala onde o seu campo de visão fique mais reduzido (não conseguir ver os colegas que estão a brincar nas construções, por exemplo) e coloque-a de forma a que possa ver sempre o adulto.
– Mantenha a área de trabalho da criança livre de materiais desnecessários.
– Atribua tarefas de curta duração: dê oportunidades à criança para se movimentar: ir buscar materiais ou fazer recados sempre que cumprir a parte da tarefa combinada.
– Para trabalho individual dê à criança o tipo de trabalho que sabe que ela será capaz de completar. Pode pedir a colaboração de outra criança para a ajudar enquanto o adulto está ocupado.
– Identifique sons do exterior que possam perturbar a criança.
– Trabalhe com mapa de actividades para que a criança se organize.
– Experimente uma brincadeira, uma teatralização para aguçar a curiosidade sempre que lançar novas tarefas.
– Adicione um pouco de mistério. Leve um objecto relevante para a sala numa caixa ou num saco. É uma forma fantástica de despertar a curiosidade e a vontade de adivinhar e pode conduzir a excelentes resultados.
– Varie o tom de voz: alto, suave, sussurrante. Experimente dar uma ordem num tom de voz elevado ou demasiado baixo. “Atenção! Parados! Prontos!” seguido de alguns segundos de silêncio antes de prosseguir num tom de voz normal para dar instruções.
– Empregue estratégias multi-sensoriais quando falar para a criança: sinais sonoros - campainha ou sino - e visuais - uma lanterna de bolso ou um apontador laser: desligar a luz e captar a atenção das crianças iluminando os objectos relevantes. Incorpore demonstrações e actividades de movimento, sempre que possível.
– Fale em privado com a criança acerca dos seus comportamentos inapropriados, evitando uma linguagem de confronto e de crítica. Procure estabelecer alternativas para comportamentos inadequados.
– Combine sinais que a criança possa usar para avisar de que precisa de ajuda.
– Verifique com frequência se a criança está a cumprir a tarefa. Faça comentários positivos e elogie atitudes adequadas.
– Estabeleça um sistema de reforços se a criança atingir um objectivo previamente definido (dar autocolantes, uma medalha, ser “chefe”…).
Conselho
Após a adopção consistente das medidas que aqui propomos, é suposto que se observem melhorias significativas no comportamento da criança. Caso tal não suceda, é aconselhável que a criança seja observada em Neuropediatria para despistar uma possível PHDA e simultaneamente poderá beneficiar de apoio psicológico, com o objectivo de potenciar o desenvolvimento da atenção, o controlo da impulsividade e, ou da hiperactividade, bem como ajudar a família e a escola a organizar o ambiente educativo.
Por Filomena Santos Silva, Psicóloga
Antes de qualquer outra medida os pais e educadores devem questionar-se se não haverá alguma perturbação – no meio familiar ou escolar – que possa justificar essa alteração comportamental
Num jardim-de-infância, a educadora de uma sala do ensino pré-escolar reúne com os pais de forma a partilhar as dificuldades que está a sentir, dizendo-lhes: “O Frederico é uma criança que, apesar das suas boas capacidades, nunca acaba os trabalhos e perturba constantemente os colegas com o seu comportamento agitado. Tem dificuldade em ficar sentado em grande grupo e revela pouco interesse pelas actividades e tarefas da sala, permanecendo pouco tempo envolvido mesmo em situações de brincadeira livre.”
Estas queixas são frequentemente feitas pelos educadores aos pais que, apesar de saberem que são reais, se sentem impotentes para as resolver. Neste momento começam as dúvidas: será que o meu filho tem Défice de Atenção? Será que é Hiperactivo? Devo ir a um especialista? Que fazer? Se a criança já iniciou o ensino básico estas questões tornam-se ainda mais pertinentes.
É uma realidade que actualmente há um grande número de crianças que são diagnosticadas como tendo Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), sendo que grande parte inicia muito cedo medicação com psicoestimulantes. Contudo, é também do conhecimento geral que se assiste a um sobre-diagnóstico, o que significa que muitas das crianças podem apenas ter algumas dificuldades que, com medidas educativas adequadas, são ultrapassadas. Desde que a qualidade de vida da criança esteja assegurada, essas medidas devem ser sobretudo ao nível do ambiente escolar e familiar.
Antes de qualquer outra medida os pais e educadores devem questionar-se se não haverá alguma perturbação – no meio familiar ou escolar – que possa justificar essa alteração comportamental. As crianças pequenas, frequentemente, não conseguem falar sobre os seus sentimentos, mas, mostram que algo se passa através da agitação psicomotora, incapacidade em manter a atenção numa tarefa ou pelo comportamento perturbador e de oposição que revelam. Se for esse o caso, é importante dialogar com a criança procurando ultrapassar as causas que originaram o problema. Se, pelo contrário, se concluir que este é o padrão habitual de comportamento da criança é fundamental que os pais e o educador (ou o professor) estabeleçam todo um conjunto de medidas facilitadoras que conduzam a alterações nos diversos ambientes em que a criança vive no seu quotidiano.
Alterações gerais
– Dê apenas uma ordem ou tarefa de cada vez à criança; se a tarefa for complexa subdivida-a e certifique-se de que a primeira parte foi cumprida antes de lhe explicar a seguinte.
– Elimine os estímulos distractores antes de falar com a criança: em casa baixe o som da televisão ou afaste o jogo que a criança está a fazer antes de falar com ela; na escola afaste-a dos colegas ou coloque-se de forma a que o seu corpo faça alguma “barreira visual”.
– Estabeleça contacto visual antes de falar com a criança. Se necessário pegue-lhe suavemente no queixo garantindo que está a olhar para si enquanto fala.
– Peça à criança para explicar o que lhe foi pedido; frequentemente a criança diz que compreende mas não processa correctamente a informação, sendo depois incapaz de cumprir a ordem.
– Envolva-se com a criança em jogos e actividades que favoreçam o aumento do nível de atenção (puzzles, jogos de memória visual, jogos de construção, de observação e de raciocínio lógico), procurando ser um modelo: verbalize as suas acções em voz alta de modo que a criança possa interiorizar modelos correctos de acção.
– Defina regras e quais as consequências no caso de as quebrar; as penalizações para o não cumprimento devem ser rápidas, justas e consistentes.
Alterações no Ambiente Familiar
– Procure diariamente ter um tempo de qualidade com o seu filho, brincando ao que ele pede, sem procurar ensinar e sobretudo sem recriminações. Verá que vai ser mais fácil para a criança estar atenta e envolver-se em actividades em que sente prazer; por outro lado permite reforçar os laços afectivos. Comece por períodos muito curtos e progressivamente aumente o tempo de interacção.
– Privilegie o esforço e não os resultados, ou seja elogie o seu filho quando este se esforça por cumprir uma tarefa; reforce positivamente os comportamentos adequados, procurando dar mais atenção à criança sempre que esta se comporte de acordo com o esperado.
– Sempre que possível ignore o comportamento desadequado, optando por não dar atenção à criança nessa situação: parar o que está a fazer para ralhar ou punir poderá ter o efeito contrário: inconscientemente a criança porta-se mal para ter atenção, mesmo que esta seja negativa.
Alterações no Ambiente Escolar
– Promova a motivação da criança pela tarefa, mostrando grande entusiasmo e verbalizando que acredita nas capacidades da criança para a sua realização.
– Sente a criança numa área com poucos distractores, evitando toda a fonte de estimulação que não seja essencial. Procure um local da sala onde o seu campo de visão fique mais reduzido (não conseguir ver os colegas que estão a brincar nas construções, por exemplo) e coloque-a de forma a que possa ver sempre o adulto.
– Mantenha a área de trabalho da criança livre de materiais desnecessários.
– Atribua tarefas de curta duração: dê oportunidades à criança para se movimentar: ir buscar materiais ou fazer recados sempre que cumprir a parte da tarefa combinada.
– Para trabalho individual dê à criança o tipo de trabalho que sabe que ela será capaz de completar. Pode pedir a colaboração de outra criança para a ajudar enquanto o adulto está ocupado.
– Identifique sons do exterior que possam perturbar a criança.
– Trabalhe com mapa de actividades para que a criança se organize.
– Experimente uma brincadeira, uma teatralização para aguçar a curiosidade sempre que lançar novas tarefas.
– Adicione um pouco de mistério. Leve um objecto relevante para a sala numa caixa ou num saco. É uma forma fantástica de despertar a curiosidade e a vontade de adivinhar e pode conduzir a excelentes resultados.
– Varie o tom de voz: alto, suave, sussurrante. Experimente dar uma ordem num tom de voz elevado ou demasiado baixo. “Atenção! Parados! Prontos!” seguido de alguns segundos de silêncio antes de prosseguir num tom de voz normal para dar instruções.
– Empregue estratégias multi-sensoriais quando falar para a criança: sinais sonoros - campainha ou sino - e visuais - uma lanterna de bolso ou um apontador laser: desligar a luz e captar a atenção das crianças iluminando os objectos relevantes. Incorpore demonstrações e actividades de movimento, sempre que possível.
– Fale em privado com a criança acerca dos seus comportamentos inapropriados, evitando uma linguagem de confronto e de crítica. Procure estabelecer alternativas para comportamentos inadequados.
– Combine sinais que a criança possa usar para avisar de que precisa de ajuda.
– Verifique com frequência se a criança está a cumprir a tarefa. Faça comentários positivos e elogie atitudes adequadas.
– Estabeleça um sistema de reforços se a criança atingir um objectivo previamente definido (dar autocolantes, uma medalha, ser “chefe”…).
Conselho
Após a adopção consistente das medidas que aqui propomos, é suposto que se observem melhorias significativas no comportamento da criança. Caso tal não suceda, é aconselhável que a criança seja observada em Neuropediatria para despistar uma possível PHDA e simultaneamente poderá beneficiar de apoio psicológico, com o objectivo de potenciar o desenvolvimento da atenção, o controlo da impulsividade e, ou da hiperactividade, bem como ajudar a família e a escola a organizar o ambiente educativo.
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